Mas comece devagar, porque a direção é mais importante que a velocidade.
Sente-se em outra cadeira, no outro lado da mesa.
Mais tarde, mude de mesa.
Quando sair, procure andar pelo outro lado da rua.
Depois, mude de caminho, ande por outras ruas, calmamente, observando com atenção os lugares por onde você passa.
Tome outros ônibus.
Mude por uns tempos o estilo das roupas.
Dê os teus sapatos velhos.
Procure andar descalço alguns dias.
Tire uma tarde inteira pra passear livremente na praia, ou no parque, e ouvir o canto dos passarinhos.
Veja o mundo de outras perspectivas.
Abra e feche as gavetas e portas com a mão esquerda.
Durma do outro lado da cama... depois, procure dormir em outras camas.
Assista a outros programas de TV, compre outros jornais... leia outros livros.
Viva outros romances.
Não faça do hábito um estilo de vida.
Ame a novidade.
Durma mais tarde.
Durma mais cedo.
Aprenda uma palavra nova por dia numa outra língua.
Corrija a postura.
Coma um pouco menos, escolha comidas diferentes, novos temperos, novas cores, novas delícias. Tente o novo todo dia, o novo lado, o novo método, o novo sabor, o novo jeito, o novo prazer, o novo amor, a nova vida.
Tente.
Busque novos amigos.
Tente novos amores.
Faça novas relações.
Almoce em outros locais, vá a outros restaurantes, tome outro tipo de bebida, compre pão em outra padaria.
Almoce mais cedo, jante mais tarde ou vice-versa.
Escolha outro mercado... outra marca de sabonete, outro creme dental... tome banho em novos horários.
Use canetas de outras cores.
Vá passear em outros lugares.
Ame muito, cada vez mais, de modos diferentes.
Troque de bolsa, de carteira, de malas, troque de carro, compre novos óculos, escrevas outras poesias.
Jogue fora os velhos relógios, quebre delicadamente esses horrorosos despertadores.
Abra conta em outro banco.
Vá a outros cinemas, outros cabeleireiros, outros teatros, visite novos museus.
Mude.
Lembre-se que a vida é uma só.
E pense seriamente em arrumar um novo emprego, uma nova ocupação, um trabalho mais light, mais prazeroso, mais digno, mais humano.
Se você não encontrar razões para ser livre, invente-as.
Seja criativo.
E aproveite para fazer uma viagem despretensiosa, longa, se possível sem destino.
Experimente coisas novas.
Troque novamente.
Mude, de novo.
Experimente outra vez.
Você certamente conhecerá coisas melhores e coisas piores do que as já conhecidas.
Mas não é isso o que importa.
O mais importante é a mudança, o movimento, o dinamismo, a energia.
O fundador do Estoicismo foi Zenão de Cício (336 a.C.- 264 a.C.); seus discípulos foram chamados de estóicos, por causa do lugar onde se reuniam, Stoa Poikile,
(stoa = pórtico). Suas obras, com exceção de alguns fragmentos, se perderam.
Podemos distinguir três períodos no estoicismo: o primeiro, com representantes da época clássica grega; o segundo, que teve o grande mérito de introduzir o estoicismo em Roma e o terceiro, que se desenvolveu em Roma sob o Império.
1) O primeiro período (estoicismo antigo) desenvolveu-se no séc. III a.C., com Zenão, de Cício, Cleanto, Crisipo e outros. Dos dois períodos, foi nesse em que se desenvolveu o sistema estóico mais completo, preocupando-se seus representantes com a lógica, a física, a metafísica e a moral.
2) No segundo período (estoicismo médio), o pensamento estóico entrou em contato com o espírito romano, com que combinou muito bem e se amalgamou. Panécio de Rodes (180 a.C. - 110 a.C.) e Possidônio (135 a.C. - 51a.C.) representam essencialmente o médio estoicismo.
3) O terceiro período (novo estoicismo ou estoicismo imperial) está ligado a três grandes nomes: Sêneca (nascido no início da era cristã e morto em 65), Epicteto (50 - 125 ou 130) e Marco Aurélio (121 - 180, imperador em 161). Dos pensadores dos dois primeiros períodos, só temos citações de outros autores e resumos. Mas, de Sêneca, Epicteto e Marco Aurélio, temos obras conservadas no essencial; foram eles os grandes propagadores do estoicismo no Ocidente.
Os filósofos estóicos foram os primeiros a considerar a filosofia um sistema, isto é, um todo, ensinando que a sua divisão em partes tem finalidade puramente didática.
No que diz respeito à física, descreveram um princípio que chamaram de pneuma (sopro vital que Heráclito atribuiu ao fogo), que está em todo o universo, no céu e na terra; trata-se de uma espécie de fluido que age por tensão (tonus), como se fosse um campo de força, mantendo unidas as partes do universo, impedindo, assim, que elas se dispersem no vazio; mantém também a individualidade de cada ser como se fosse a sua alma. É o Logos, a alma do mundo, que é corpórea e penetra toda matéria.
O estoicismo é a filosofia da imanência: o pneuma, um princípio imanente de organização, liga entre si os acontecimentos do universo - o mundo não é governado por um Deus, mas é, ele mesmo, Deus e o destino. Deus não é um Deus pessoal; é o Deus cósmico que impregna toda a natureza e dela não se distingue. Estamos, portanto, face a uma doutrina panteísta - só o universo é real, Deus está em cada uma de suas partes e é a soma de tudo aquilo que existe. Se o mundo é regulado por uma ordem divina e providencial, ele tem que ser perfeito, nada pode acontecer contra a razão: as doenças, deformidades, a morte são males necessários à própria existência do bem (um contrário não existiria sem o outro: Deus harmonizou no mundo todos os bens com todos os males de modo que nasça daí a razão eterna de tudo Cleantes) ; na verdade, os males fazem parte da ordem universal, são meros detalhes de um conjunto e nós, muitas vezes, não conseguimos perceber sua coerência.
Se tudo está pré-determinado por Deus, a liberdade humana está comprometida; só resta ao homem aceitar a necessidade, conformar sua vontade ao destino, ao que já está escrito, ao imutável.
Do que foi dito, decorre o fundamento da moral estóica: a vontade do homem deve respeitar a ordem divina e viver de acordo com ela. O ser humano deve agir de acordo consigo mesmo, ser ele mesmo, fazer agir sua natureza racional - nela, ele ama e respeita o Logos. A virtude consiste na aceitação da lei moral, no concordar com a natureza e não se rebelar contra ela, de acordo com a simpatia universal - este é o bem supremo, viver de acordo com a razão vencendo todas as paixões e sendo o dono de si mesmo.É querer o que acontece e não que aconteça o que se quer. Se não puder viver conforme o ideal da virtude, o sábio deverá praticar o suicídio.
Mas, perguntamos agora, será que, às vezes, essa sabedoria universal, esse Logos a que se deve aderir cegamente, nunca entra em confronto com as convenções sociais e os deveres políticos? Sabemos como, em Roma, o próprio Sêneca, ministro de Nero, sofreu crises de consciência ao ver se contraporem sua filosofia de vida e seus deveres políticos.
Para os estóicos, os homens são sábios ou loucos: sábios, se livres das paixões; loucos, se dominados por elas. A felicidade nada mais é que um ato de fé na racionalidade oculta do universo, isto é, uma apatia, que permite ao sábio ser feliz mesmo nos sofrimentos, mesmo no que se chama de infelicidade, porque ele já se tornou indiferente a tudo o que não pode ser alterado e não depende da vontade humana. Como vemos, são bem diferentes dos epicuristas, que pregam a imediatidade do prazer numa existência pacífica, sem medo da morte e da dor e livre de dependências externas a seu próprio ser.
Muitos tentaram aproximar o estoicismo do cristianismo, porque os estóicos negaram a diferença entre helenos e bárbaros, ensinaram a injustiça da escravidão e apregoaram a benevolência universal entre os homens, todos cidadãos de uma mesma e única cidade universal (cosmopolitismo), sem fronteiras ou nacionalidades, instrumentos da mesma razão divina. Acreditam, no entanto, ser possível alcançar a virtude e a perfeição máximas com suas forças racionais (auto-suficiência) chegando a se fazerem deuses. Para o cristianismo, embora o homem deva se aperfeiçoar, é Deus que o ajuda, através da providência, a chegar ao próprio Deus.
O estoicismo faz a moral ser totalmente independente da religião, negando que o homem dependa de Deus.
Ensinando que devemos desenvolver a aceitação total da natureza, involuntariamente, pregam a aceitação do mundo tal qual está: não é preciso libertar os escravos, porque só se é escravo das próprias paixões; para que libertar os homens, se eles já são livres ao nascer e têm a liberdade de morrer quando quiserem? Por que se preocupar com a aplicação da justiça, se nesse universo racional ela já existe e basta discerní-la? Como podemos ver, desenvolveram idéias baseadas na teoria do Direito Natural, já trabalhada pelos sofistas e que tanto influenciaram a ciência jurídica romana.
A exaltação teórica da virtude e a vida virtuosa de muitos estóicos contribuíram para conter a corrupção em alguns países da sociedade antiga e, ainda hoje, suas obras são bastante úteis porque contêm boas regras sobre o autodomínio e o comportamento social.
O sistema estóico persistiu no pensamento humano, recrudescendo nos séculos XVI e XVII, quando exerceu poderosa influência.
Epicteto
Se o homem de bem pudesse prever o futuro, ele próprio cooperaria para sua doença, para a morte, para a mutilação, porque teria consciência que, em virtude da ordem do mundo, essa tarefa lhe é determinada.
Não desejes que as coisas aconteçam segundo tua vontade, mas deseja que aconteçam como estão acontecendo e serás feliz.
... Não desejes ser general, ou senador, ou cônsul, mas deseja ser livre; e o único caminho para isso consiste no desprezo das coisas que não estão ao nosso alcance.
É sinal de falta de espírito gastar muito tempo com coisas relacionadas com o corpo, assim como demorar no comer, no beber e em outras funções animalescas.
Quem realmente se submete ao destino, é julgado Sábio entre os homens e conhece as leis do céu.
Sê silencioso a maior parte do tempo, ou fala só o necessário e em poucas palavras.
Não rias muito, nem frequente, nem profusamente. Evita, tanto quanto possível, blasfemar. Em palestras, evita a menção frequente de tuas próprias proezas e peripécias. Evita, da mesma forma, esforços de provocar risos.
Marco Aurélio
Em todos os teus atos, ditos e pensamentos, procede como se houvesses de deixar a vida dentro em pouco.
Da vida humana a duração é um ponto; a substância, fluida; a sensação, apagada; a composição de todo corpo, putrescível; a alma, inquieta; a sorte, imprevisível; a fama, incerta. Em suma, tudo que é do corpo é um rio; o que é da alma, sonho e névoa; a vida, uma guerra, um desterro; a fama póstuma, olvido. O que, pois, pode servir-nos de guia? Só e única, a Filosofia.
Logo estarás morto e ainda e ainda não és simples, nem traquilo, nem seguro de não receber danos de fora, nem bondoso para com todos, nem pões a sabedoria apenas na prática da justiça.
Não te limites a respirar com os outros o ar circundante, mas, doravante, pensa em conjunto com a inteligência que tudo envolve; a força intelectiva está tão derramada em toda parte e tão distribuída a quem pode sorvê-la quanto o ar a quem o pode aspirar.
Muitas vezes comete injustiça quem omite, não apenas quem faz alguma coisa.
Admira-me muitas vezes como cada um, embora ame a si mesmo acima de todos, dá menos valor à sua opinião a seu respeito que à dos outros.
Realizei algo para o bem comum? Então tirei proveito. Que sempre tenhas em mente esse pensamento e jamais o abandones.
Eric Clapton é muito mais que um rock star; apresentou-se ao redor do mundo em shows disputadíssimos e é um artista fundamental no desenvolvimento musical de toda uma era. Sua maneira de tocar o fez ser chamado de Deus. Composições como Layla, Sunshine of your love, Wonderful tonight e Tears in heaven são inesquecíveis para várias gerações de fãs de música. E agora, pela primeira vez, Clapton conta a história de sua viagem profissional e pessoal nesta pungente, inteligente e dolorosamente honesta autobiografia. Aqui, o músico conta a história como ela é, sem esconder nada. Sua objetividade e honestidade fazem deste livro uma das memórias mais arrebatadoras de nosso tempo.
O complexo de Édipo é mais famoso que a tragédia de Édipo. Freud queria seu nome gravado em pedra. Conseguiu. Não se pode afirmar, mas, pela detalhada biografia escrita por Peter Gay, pode-se deduzir que Freud tinha um pezinho na depressão. O outro estava fincado firmemente no desejo de ser famoso, de ser um grande homem. Enfim, um pobre diabo como todos nós, que fez sua limonada de dois limões que a vida lhe deu: a melancolia e o desejo de ser mais do que apenas um homem comum.
Apesar de notório, o complexo de Édipo não é entendido pela maioria dos que o citam. Eu mesmo nunca li o texto original. Peço a Ramon, o revisor amoroso, que encomende ao analista (de seu ilustre círculo de relacionamentos) um texto de divulgação científica (pros fracos) sobre o significado propriamente freudiano do complexo complexo. Luiz Pinheiro, que entra em férias, como eu (volto na segunda semana de agosto), não deverá se manifestar dessa vez.
Feitas as necessárias e humildes ressalvas, exponho o que entendi do tema a partir de leituras de segunda mão, conversas com psicanalistas e alguns anos de análise: o complexo de Édipo é uma construção intelectual (um modelo teórico apenas, pois não há comprovação científica) arquitetada para explicar o momento fundamental da infância, talvez de toda a vida: o primeiro em que nossa visão de mundo é fortemente agredida pela realidade, o primeiro questionamento crítico importante que fazemos sobre a percepção fantástica, fantasiosa que, crianças, todos temos da vida.
A finalidade crucial desse acontecimento é a conquista da humildade e, quase paradoxalmente, da segurança pessoal. O édipo é uma lição baseada num trauma. Como uma vacina, que tira do veneno a salvação, o édipo tira do trauma a nossa futura capacidade de suportar frustrações, principalmente as das áreas do amor e da auto-estima.
A lição ou o trauma (quando não se aprende a lição) nos acompanhará e guiará por toda a jornada que teremos em seguida sobre o planeta: uma odisséia para todos, uma tragédia para muitos, para as quais nos preparamos, sem saber que nos preparamos, numa idade em que seria tão bom que tudo fosse apenas sonhos. Paulo Francis, que gostava de repetir que a realidade é melhor do que sonhos, afirmava também recorrentemente que não há época mais triste do que a infância. Talvez falasse da própria, mas, da minha, me lembro claramente do desamparo e da solidão, apesar dos pais amorosos que tive. Dois pezinhos na depressão ou a tristeza infantil é verdade universal, comum a todos?
O trauma se dá quando a criança percebe que aqueles dois que estavam ali só para cuidar dela, dedicar todo o amor apenas a ela, têm um lance entre si. Papai e mamãe têm segredos, têm vida própria e comum, cumplicidades. Então, o pequeno ser, incapaz de racionalizar e usar a linguagem para expressar os sentimentos terríveis que emergem dentro de si diante das novas constatações, descobre que monstro existe, sim, pelo menos um, mas muito, muito assustador, terrível, horrível e, ainda por cima, de olhos verdes. E não consegue nomear o monstro, nem consegue apontá-lo para papai e mamãe e perguntar o nome. Se pudesse ouviria "ora, é o Ciúme. Nenê tá com ciúme, minha coisinha linda tá com ciuminho? Meu anjo, liga não, papai te adora, filhinho, mamãe te ama mais do que tudo nesse mundo".
O amor daqueles dois não é apenas dele. Ele não tem exclusividade, como acreditava e baseava, sem saber, toda a sua felicidade, sua onipotência, seus super-poderes, naquela atenção falsamente incondicional. A auto-estima vai a zero, uma criancinha vive uma desilusão de gente grande. Se tiver condições adequadas para lidar com a percepção brutal, ela aprenderá duas lições básicas: a de que não é exclusivo e que o amor que lhe sobra é suficiente para sobreviver. Se tiver condições adequadas: pais amorosos e capazes de acompanhar o filho nessa desilusão, e, não menos importante, a capacidade de suportar sofrimento com a qual a criança já nasce, algumas com mais, outras com menos, distribuídas segundo a lei de Deus.
(Nasrudin tinha um pacote de balas na mão e disse para um grupo de meninos que estava por perto: Vou dar essas balas para vocês, vocês querem que eu distribua segundo a lei dos homens ou segundo a lei de Deus? Segundo a lei de Deus, a lei de Deus, disseram os meninos. Então Nasrudin deu uma bala para um menino, duas para outro, o resto do saquinho para outro e deixou todos os outros chupando dedo. Eles reclamaram e Nasrudin respondeu: Ora, foram vocês que escolheram a lei de Deus. Igualdade é lei dos homens)
Alguém com o édipo bem resolvido (pelo que tenho visto por aí, outra fantasia) seria capaz da humildade de não precisar ser exclusivo de ninguém, ou seja, seria capaz da segurança de não precisar ser exclusivo de ninguém. E estaria vacinado contra o vírus VERME MONSTRO de olhos verdes.
Li recentemente recendem a édipo mal resolvido, 'Memória de minhas putas tristes', de Garcia Marques. Um homem de 90, que só transou com putas a vida toda, sofre o nascimento de uma "nova" fantasia amorosa.
O édipo não tem idade, endereço, classe social. Rico, pobre, índio, paquistanês, hutu, piauiense, araraquarense, japonês, físico nuclear, ginecologista, Hebe Camargo, Materazzi, Zidane, a perua do Senhor, Bento dezesseis, dezessete, dezoito, Heloísa Helena, Oriana, a petista esclarecida, Angelina Jolie, os filhinhos de Angelina Jolie com Brad Pitt, mesmo os batizados lá naquele país afro-medieval, Michael Jackson, George Michael, Michael Jordan, todos têm, todos passam pelo próprio, e único édipo. Condição humana das brabas, Santo Graal cheio de sangue humano. Quem não o viveu adequadamente quando criança estará condenado a repeti-lo até aprender sua dura lição.
Mil vezes a santidade, a castidade, o heroísmo, as drogas, o vício, a ideologia, o crime, a idolatria, o contrabando de armas na África, a troca de casais, trocar de cônjuge, faustão aos domingos: qualquer coisa é melhor do que encarar o próprio édipo na fase adulta. O édipo é bom de ser vivido quando a gente é criança, antes de pôr aparelho nos dentes.
eu prometi não fazer nenhum comentário, guardar o sentimento em um suposto esconderijo, até tudo estar tão claro.
mas eternal sunshine of spotless mind nos eleva para uma esfera em que promessas não existem, o mundo é tão real que sentimos o pulso inequívoco de reafirmar a vida em sua mais prazerosa indefinição.
raramente vi um filme tão contemporâneo, que comunicasse, com incompletude e precisão, o que sentimos e pensamos. talvez dogville, 21 gramas, lost in translation, in the mood for love e kill bill – vol. 1 sejam obras a integrar esta lista, tão breve quanto profundamente reveladora, mas em eternal sunshine… há uma completa síntese de vários elementos daquilo que vivemos.
não sabemos quem somos [e isto não é um problema]. o ocidente passou séculos e séculos [verdadeiras eternidades] a se preocupar com a busca de si mesmo, e subitamente esta questão se exauriu, evaporou. não há mais este mistério, pois o mandamento 'tornar-se aquilo que se é' nos diz tão somente: siga em frente, e não se prenda em definições. o vago e impreciso finalmente são admitidos como a última verdade, e não estamos tristes com isso.
não sabemos o que queremos. e isto nos restringe simplesmente a todas as possibilidades. ter objetivos, buscar um ideal, seguir os seus princípios, tudo isto talvez seja tão falso e inadequado que a última condição seja se resignar. saber o que não se quer é o que realmente importa.
não sabemos o que sentimos. e isto não elimina as relações afetivas, troca de sinceridades e afetos, momentos de êxtase e passionalismos. nada mais precisa estar tão claro, pois o mundo é e sempre foi assim: um pouco gratuito, um pouco eterno.
aceitar que o mundo é simultâneo, incompleto, fragmentário, orgânico, e, em todas as ocasiões, algo para se sentir, jamais compreender.
aceitar um sentimento e vivê-lo em sua mais plena intensidade. aceitar a desilusão e vivê-la em seu mais absoluto ceticismo.
resignar-se ao ponto de admitir que todas as idéias, sentimentos e argumentos são possíveis e válidos. e que nada disso talvez seja lembrado.
o filme é mal acabado, um pouco confuso, incompleto e transitório. um pouco sujo, também. e justamente por isso, essa ambivalência primordial, expressa tudo o que somos [ou não] com tanta propriedade.
o que é mais belo. A passagem estreitinha. A espantosa ponte. A paisagem de luz ao fundo...
Quase um ano depois, no entanto, tem ido sempre a tempo de se lembrar dela. Da ponte.
Tenho que me desprender do meu passado curto. Sempre repete a mesma coisa na minha mente e na minha alma. O importante nessa fase da minha vida é: me libertar do cordão umbilical.
Não tinha medo do futuro, pois não tinha medo do que ia acontecer. Hoje penso diferente, penso que atravessar a ponte; é possível. Atravessando com um companhia especial.
Mas esperar a hora certa ? Vejo que a ponte é longa, muito longa. E pode ser que ela caia, e posso nadar solitário pelo rio. Percebo, sinto e vejo que minha força está dobrada.
Desejo atravesar a ponte, com você. Não quero prever tempestades pelo caminho. No meio da ponte queria olhar pra baixo, mas não posso.
Mas as tempestades que oscila entre querer e o não querer. Me faz pensar em seguir meus instintos. Para ver a cor da agua, não sei.
O que você vai fazer quando se sentir sozinha E ninguém estiver esperando ao seu lado? Você tem estado correndo e se escondendo por muito tempo Você sabe que é só seu orgulho tolo
Layla Você me tem de joelhos, Layla Implorando, querida, por favor, Layla Querida, conforte minha mente preocupada?
Tentei te dar consolo Quando seu homem, ele te decepcionou Mas como um tolo, me apaixonei por você Você virou meu mundo de cabeça pra baixo
Layla Você me tem de joelhos, Layla Implorando, querida, por favor, Layla Querida, conforte minha mente preocupada?
Faça o melhor com essa situação Antes que eu finalmente enlouqueça Por favor não diga que nunca encontraremos um jeito Ou diga que meu amor é em vão
Layla Você me tem de joelhos, Layla Implorando, querida, por favor, Layla Querida, conforte minha mente preocupada?
Remember that night White steps in the moonlight They walked here too Through empty playground, this ghosts' town Children again, on rusting swings getting higher Sharing a dream, on an island, it felt right
We lay side by side Between the moon and the tide Mapping the stars for a while
Let the night surround you We're halfway to the stars Ebb and flow Let it go Feel her warmth beside you
Remember that night The warmth and the laughter Candles burned Though the church was deserted At dawn we went down through empty streets to the harbour Dreamers may leave, but they're here ever after
Let the night surround you We're halfway to the stars Ebb and flow Let it go Feel her warmth beside you
The Blue
Shameless sea Aimlessly so blue Midnight-moon shines for you
Still, marooned Silence drifting through Nowhere to choose Just blue...
Ceaselessly Star-crossed you and me Save our souls We'll be forever blue
Waves roll Lift us in blue Drift us Seep right through And colour us blue
Wait for me Shameless you, the sea Soon, the Blue So soon...
Take A Breath
Take a breath Take a deep breath now Take a breath A deep breath now Take a breath
When you're down is where you find yourself When you drown there's nothing else If you're lost you'll need to turn yourself Then you'll find out that there's no-one else
To make the moves that you can do When you fall from grace your eyes in blue Your every breath becomes another world And the far horison's living hell
Take a breath A deep breath now
This kind of love is hard to find I never got to you by being kind If I'm the one to throw you overboard At least I showed you how to swim for shore
When you're down is where you find yourself When you drown there's nothing else If you're lost you'll need to turn yourself Then you'll find out that there's no-on else
Red Sky At Night
(instrumental)
This Heaven
All the pieces fall into place When we walk these fields And I reach out and touch your face This earthly heaven is enough for me
So break the bread and pour the wine I need no blessings but I'm counting mine Life is much more than money buys When I see the faith in my children's eyes
I've felt the power in a holy place Wished for comfort when in need Now I'm here in a state of grace This earthly heaven is enough for me
So break the bread and pour the wine I need no blessings but I'm counting mine Life is much more than money buys When I see the faith in my children's eyes
Then I Close My Eyes
(instrumental)
Smile
Would this do to make it all right While sleep has taken you where I'm out of sight
I'll make my getaway Time on my own Search for a better way To find my way home to your smile
Wasting days and days on this fight Always down, and up half the night Hopeless to reminisce through the dark hours We'll only sacrifice what time will allow us You're sighting...
All alone though you're right here Now it's time to go from your sad stare
I'll make my getaway Time on my own Search for a better way To find my way home to your smile
A Pocketful Of Stones
He's sending stones skimming and flying Circles spinning out his time Though the earth is dying his head is in the stars Chances are this spark's a lifetime
Out of touch he'll live in wonder Won't lose sleep he'll just pretend In his world he won't go under Turns without him until the end
Rivers run dry but there's no line on his brow Says he doesn't care who's saved It's just the dice you roll, the here and now And he's not guilty or afraid
One day he'll slip away Cool water flowing all around In the river and on the ground Leave a pocketful of stones and not believe in other lives
Until then he'll live in wonder He won't fight or comprehend In this world he won't go under Turns without him until the end
Where We Start
Where we start is where we end We step out sweetly, nothing planned Along by the river we feed bread to the swans And then over the footbridge to the woods beyond
We walk ourselves weary, you and I There's just this moment
I light a campfire away from the path We lie in the bluebells, a woodpecker laughs
Time passes slowly our hearts entwined All of the dark times left behind
The day is done The sun sinks low We fold up the blanket, it's time to go
We walk ourselves weary, arm in arm Back through the twilight Home again
We waltz in the moonlight and the embers glow So much behind us Still far to go
José Morais, 28, Mineiro, Webdesign, Gaitista, Guitarrista, Cinéfilo. Amante do Blues. Fã incondicional dos cantores: Eric Clapton, Neil Young e David Gilmour. Um apaixonado visceral pela literatura russa do século XIX, em especial por Dostoievski. Norteando-se pelos preceitos da Filosofia Estóica